Esvaziando gavetas

Segunda-feira, Junho 30, 2008


CANTANDO UMA MÚSICA DO ROBERTO


“Eu me lembro com saudade do tempo que passou.”

Essa música foi composta alguns anos depois desta foto. Mas o espírito é o mesmo. Primos e colega em volta de um avô. Eu com aquele que seria meu companheiro inseparável pelo resto da vida, um livro.
Todos aguardando o futuro. E que veio farto e generoso.
Seu Joaquim deixou uma leva de filhos e netos que se multiplicaram e hoje estão espalhados pelo mundo.
Todos ali da foto se tornaram pais e mães. Mas antes passaram pelas “jovens tardes de domingo”. Namoraram, paqueraram, construíram e ajudaram a construir esse mundo de hoje.
Um, mais apressado já se foi encontrar com o meu avô, e olha que ele nem era neto. Morava ali do lado direito da rua, mas do lado esquerdo do peito.
Um tempo, um momento registrado no instantâneo, que era o nome dessas fotografias. Instantâneo de um instante.
E deve ter sido um instante bem pequeno, porque pelos trajes a gente deve ter voltado correndo pro campinho


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Terça-feira, Junho 24, 2008



Vejam bem essa foto. Um senhor e duas senhoras. Amigos desde a infância deles. Minha mãe ajudava a mãe do menino a cria-lo enquanto ela trabalhava. Minha tia, quase da mesma idade era a amiga de brincadeiras. Cresceram, casaram, tiveram filhos. Ele por sua vez teve seus empregos, casou. E a amizade continuou.
Bom, essa história começou em Presidente Prudente e no momento da foto estavam em São Paulo, no quintal da Coelho Lisboa. Raul o nome dele.
Brincalhão, divertido, boa praça. Meio afilhado da minha mãe.
Mas a história continuou.
Anos depois desta foto, eu, filho mais novo da Dona Maria fui para Ribeirão Preto fazer faculdade, lá conheci uma menina de Barretos com quem casei.
Um dia na minha casa, vendo velhas fotos, a tia da Cristina ao olhar esta foto aí voltou e disse:
— Mas este não é o Raul?
— É, disse minha mãe. Um nosso conhecido. Você conhece ele?
— Ele trabalhou uma época em Barretos, e tentou namorar minha irmã. Mas ela já estava namorando o Diamantino.
E assim os caminhos mais uma vez se cruzaram. Um afilhado da minha mãe conheceu a família da minha sogra.


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Quarta-feira, Junho 18, 2008


A ocasião talvez seja a mesma da foto das meninas , mas o que quero falar aqui é de outra coisa. Uma coisa perdida no mundo de hoje. Quintal.
Geralmente ficava no fundo das casas, mas por vezes ficava na frente. Eram espaços livres, onde as mulheres plantavam, os homens passavam distraídos e as crianças brincavam. Neste quintal aí da foto brinquei muito. Enterrei um vidro cheio de líquidos que fui pegando na casa (álcool, água, perfumes das minhas irmãs, água sanitária) para um dia desenterrar e ver o que tinha acontecido. Como não fiz isso, ainda estará lá?
O quintal e o muro baixo representam um tipo de vida e um momento na história da cidade e das pessoas.
Mas ele só tinha sentido se houvesse uma família para utiliza-lo. Uma família como essa da foto. Pai, mãe e filhos. Cinco filhos. E mais o fotógrafo. E todos que estavam esperando sua hora de ser fotografado.
Esse era um quintal muito bom.
Ah! E aquele cimentado redondo ali no meio, não era a fossa, como muita gente pensava na época.


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Terça-feira, Junho 17, 2008


Meninas e bonecas

O tempo, o lugar, o fato.
Assim se escrevem as nossas memórias. Procuramos recordar alguma coisa, um fato, um momento marcante, que aconteceu em algum lugar, uma casa ,uma rua. E por fim, o tempo. Aquilo deve tr acontecido há muito tempo.
Assim é ao ver esta foto de mulheres que são mães hoje. Parece até que uma delas já esta para ser avó.
Estão ali sorridentes. Devia ser um Natal. Era um Natal. As roupas. Alguém com uma máquina fotográfica. As meninas com seus presentes. Suas bonecas ostentando como troféus.
O quintal florido, mostrando a força do verão naquele bairro. Pra lá do muro ficava o mundo, o mundo real que um dia iria traga-las. Onde seriam um dia mães de verdade, mas naquele momento eram apenas meninas e suas bonecas. Mas sabemos os nomes dessas meninas, mas as mulheres que já foram essas meninas saberiam ainda o nome dessas bonecas?
Só as pessoas que guardam dentro de si com carinho a criança que foram um dia poderão lembrar o nome que deram às suas bonecas.


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